“Amor em Terra de Chama” de Jean Sasson… ótimo livro! Adorei os 4 livros que li desta autora, que é a mesma da série da Pricesa da Arábia Saudita, que já contei aqui.
Bom, este livro trata da guerra travada entre Saddan Hussein e os curdos… armas químicas e bombardeios disimaram mais de 200 mil curdos ao longo dos anos de guerrilha.
Mas o livro também retrata o amor entre Joanna (protagonista da históira) e Sarbast (guerrilheiro peshmergas – como eram chamados os revolucionários que defendiam a liberdade curda).
Já que falei de minhas leituras ontem, hoje quero dar 2 dicas interessantes do que você pode fazer com seus livros já lidos…
1. Bookcrossing:
Consiste na “liberação” de um livro já lido, em um lugar público, para que seja pego e lido por outra pessoa. Antes de ser passado adiante, cada livro precisa ser registrado no site do projeto, onde recebe um número de identificação, que deve ser anotado na contracapa. Quem encontra o exemplar, também faz um registro na internet, para que o doador saiba que a publicação alcançou outras mãos.
2. Trocando Livros:
É um site onde as pessoas se cadastram e fazem sua lista de livros disponíveis para troca. Então quando alguém solicitar um livro seu, você ganha créditos para escolher um livro de outro usuário.
Meus livros estão todos na casa da minha mãe, mas na minha próxima ida pra lá, pretendo trazer alguns para experimentar essas alternativas de disseminar a cultura literária.
Bom, sobre o primeiro livro… gostei, o conteúdo do livro é bom, mas a modo de escrever da autora é um tanto quanto repetitivo, o que deixa a leitura cansativa e as vezes massante. Mas se você gosta de livros sobre casos reais, vale a pena ler.
“Era uma vez uma princesa” é uma história real de um australiana que se casa com o príncipe da Malásia, é mal tratada e depios de quase 5 anos de casamento, resolve voltar com seus 2 filhos para a Austrália. Três anos depois, seus filhos são sequestrados pelo pai, que os leva de volta para a Malásia… Segue o relato de sete anos de luta para ter os filhos de volta… História incrível de uma mulher forte e determinada, que em sua dor, passa a ajudar crianças do mundo todo. Recomendo!
Chico Buarque acabou de lançar seu quarto romance, intitulado “Leite Derramado“, veja a sinópse:
“Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos. A visão que o autor nos oferece da sociedade brasileira é extremamente pessimista: compadrios, preconceitos de classe e de raça, machismo, oportunismo, corrupção, destruição da natureza, delinquência.
A saga familiar marcada pela decadência é um gênero consagrado no romance ocidental moderno. A primeira originalidade deste livro, com relação ao gênero, é sua brevidade. As sagas familiares são geralmente espraiadas em vários volumes; aqui, ela se concentra em 200 páginas. Outra originalidade é sua estrutura narrativa. A ordem lógica e cronológica habitual do gênero é embaralhada, por se tratar de uma memória desfalecente, repetitiva mas contraditória, obsessiva mas esburacada.
O texto é construído de maneira primorosa, no plano narrativo como no plano do estilo. A fala desarticulada do ancião, ao mesmo tempo que preenche uma função de verossimilhança, cria dúvidas e suspenses que prendem o leitor. O discurso da personagem parece espontâneo, mas o escritor domina com mão firme as associações livres, as falsidades e os não-ditos, de modo que o leitor pode ler nas entrelinhas, partilhando a ironia do autor, verdades que a personagem não consegue enfrentar.
Em suas leves variantes, as lembranças obsessivas revelam sutilezas ideológicas e psíquicas. E, como essas lembranças têm forte componente plástico, criam imagens fascinantes. É o caso do “vestido azul” comprado pelo pai para a amante, objeto de alta concentração significante. Esse objeto se expande, no nível da narrativa, como índice de elucidação da intriga, no nível fantasmático, como obsessão repetitiva do filho, e no nível sociológico, como ilustração dos usos e costumes de uma classe. Tudo, neste texto, é conciso e preciso. Como num quebra-cabeça bem concebido, nenhum elemento é supérfluo.
Há também um jogo com os espaços onde ocorrem os acontecimentos narrados. As várias casas em que o narrador morou, como as décadas acumuladas em suas lembranças, se sobrepõem e se revezam. Recolocá-las em ordem cronológica é assistir a uma derrocada pessoal e coletiva: o chalé de Copacabana, “longínquo areal” dos anos 20, é substituído por um apartamento num edifício construído atrás de seu terreno; esse apartamento é trocado por outro, menor, na Tijuca; o palacete familiar de Botafogo, vendido, torna-se estacionamento de embaixada; a fazenda da infância, na “raiz da serra”, transforma-se em favela, com um barulhento templo evangélico no local da velha igreja outrora consagrada pelo bispo. Embaixo da última morada do narrador, nesse “endereço de gente desclassificada”, está o antigo cemitério onde jaz seu avô.
Percorre todo o texto, como um baixo contínuo, a paixão mal vivida e mal compreendida do narrador por uma mulher. Os múltiplos traços de Matilde, seu “olhar em pingue-pongue”, suas corridas a cavalo ou na praia, suas danças, seus vestidos espalhafatosos, ao mesmo tempo que determinam a paixão do marido e impregnam indelevelmente sua lembrança, ocasionam a infelicidade de ambos. Os preconceitos e o ciúme doentio do homem barram a realização plena da mulher e levam-na a um triste fim, que, por não ter nem a certeza nem a teatralidade dos desfechos de uma Emma Bovary ou de uma Ana Karênina, tem a pungência de um desastre. Embora vista de forma indireta e em breves flashes, Matilde se torna, também para o leitor, inesquecível.
O fato de nem no fim da vida o homem compreender e aceitar o que aconteceu torna seu drama ainda mais lamentável. Os enganos ocasionados por seu ciúme são tragicômicos, e o escritor os expõe com uma acuidade psicológica que podemos, sem exagero, qualificar de proustiana.
Outras figuras, fixadas a partir de mínimos traços, também se sustentam como personagens consistentes: o arrogante engenheiro francês Dubosc, que a tudo reage com um “merde alors”; a mãe do narrador, que, de tão reprimida e repressora, “toca” piano sem emitir nenhum som; a namorada do garotão com seus piercings e gírias. É espantoso como tantas personagens conseguem vida própria em tão pouco espaço textual. Leite derramado é obra de um escritor em plena posse de seu talento e de sua linguagem.”
Estou ansiosa para ler este livro, mas enquanto não terminar todos os que tenho na minha lista de espera, prometi pra mim mesma que não vou comprar mais nenhum… hehehe… Então esse vai esperar um pouco, mas enquanto isso, podemos nos deliciar ouvindo o próprio Chico lendo suas linhas…
Desde o último post sobre minhas leituras, em 08 de março. Li mais alguns livros…
Não nesta ordem, mas li a trilogia sobre a vida de Sultana, princesa da Arábia Saudita. Os livros contam sua história desde a tenra infância, até os seus 40 anos (aproximadamente). sultana sempre foi uma menina avessa ao tratamento péssimo que as mulheres recebem na Arábia. São obrigadas a usar véus que lhe cobrem totalmente, a partir do momento que se tornam moças. São subjulgadas, são humilhadas e mal tratadas. Primeiro por seus pais e irmão e depois por seus maridos. O livro mostra todas as angústias vividas por Sultana e todas as suas lutas para que a mulher tenha seu papél respeitado perante todos.
Li também o Caçador de Pipas… que livro lindo, que história impressionante! Faz a gente pensar em quanto devemos dar valor as pessoas, aos amigos, à família… é tudo tão efêmero!